As Mulheres Vingadoras da Afronta e Eskröta Lançam o Split “Ultriz”

Em uma época de fascismo consolidado, em que a extrema direita retomou o poder com militares, homens, héteros, evangélicos e ultra conservadores, muitas bandas tem se posicionado e denunciado todos os valores dos ditos cidadãos de bem. E, como não poderia ser diferente, as mulheres estão se organizando e levando a mensagem contra toda a afronta que o sistema tem imposto a população. Nesse cenário, as bandas totalmente femininas Afronta (Fortaleza/CE) e Eskröta (São Carlos/SP) lançam o split “Ultriz”.

Resultado de imagem para ultriz afronta e eskrota

A Afronta é uma banda de hardcore/crust que conta com nomes já conhecidos da cena, que compõe ou compuseram outras bandas. São elas: Paloma na bateria, Dejane na guitarra, Tina no baixo e Thuanny no vocal. As gravações foram feitas no Cuca Mondubim e Estúdio Esconderijo.

A Eskröta, por sua vez, é uma banda que tem conquistado bastante notoriedade nos últimos tempos. Nos dois anos de existência, já tocaram em grandes festivais nacionais e estão prestes a realizar uma tour no nordeste brasileiro. A banda é composta por Yasmin na guitarra e vocal, Tammy no baixo e backing vocal e Miriam na bateria. As gravações foram realizadas no Válvula 9 e Vintake. A Mix e Master foram feitas pelo grande Martin Furia.

O material saiu em CD envelope (fabricado pela Kyrios) e compacto 7″ (fabricado pela Vinil Brasil) e saiu pelo coletivo de selos: Helena DiscosHorrortomia RecordsTransviada DistraVertigem DiscosElectric Funeral Records,Coletivo Girls To The FrontFabio MozineTwo Beers or not Two Beers RecordsCarniça Distro,Crise produções – CRISE e HC80. Garanta o seu, pois os materiais estão bem bonitos e com qualidade de som e fabricação. A experiência em se ouvir um som por meio de material físico é única (se você não tem, comece uma coleção!).

Nenhuma descrição de foto disponível.
Foto de divulgação do selo Helena Discos

A VINGANÇA – FAIXA A FAIXA

A imagem pode conter: 4 pessoas, atividades ao ar livre

O split começa com os sons do Afronta, sendo “Operação tarântula” o primeiro deles. O som fala sobre a perseguição e caça à travestis durante os anos 70 e 80 pela ditadura militar e que teve apoio midiático e da população. Em uma época em que uma travesti teve o coração arrancado do peito e o país lidera o ranking de pessoas LGBT´s mortas, tendo um presidente declaradamente homofóbico no poder, o som nos lembra que estamos efetivamente repetindo o passado. O som tem a pegada mais hardcore, com riffs bem trabalhados, baixo bem delineado, batera marcada e os vocais que misturam ódio e desespero. Com apenas 47 segundos, vai te fazer colocar no play novamente.

“Violada por Deus” fala da história sobre a concepção de Jesus no ventre da virgem Maria, que nada mais é do que um estupro. Esse é o tipo de som contestatório ao cristianismo, que faz refletir sobre a naturalização de certas violências a mulher por parte da Igreja (até por que um dos alicerces da exploração da mulher, é a religião). O som é um pouco mais longo que o anterior, mas nem por isso menos impactante. Destaque para o desenvolvimento dos riffs.

A imagem pode conter: 3 pessoas, pessoas sorrindo, pessoas em pé e noite

Na sequência, temos os sons da Eskröta que mostram uma nítida evolução em termos de composição e gravação. “Burn the Poor” é um som contestatório que fala sobre as investidas governamentais que tem atingido e massacrado o povo periférico, frente a uma minoria elitista que tem lucrado como nunca antes. Com riffs mais tensos, levam o som tem a pegada mais para o thrash metal, com direito a um solo bem legal. Destaque para o baixo que com os graves delineia o som muito bem.

“Playbosta” é um som que fala sobre o comportamento dos caras privilegiados financeiramente e que perpetuam o machismo e propagam a falácia da meritocracia. Os destaques vão para o urro inicial da Yasmin, que está com o vocal mais potente do que nunca , o coro do refrão “fascista, machista, de alma apodrecida…” que fica na cabeça e a bateria que está executada com muita energia e criatividade.
Pegou o recado? Não? Então se prepara, pois você deve fazer parte do grupo que essas mulheres vingadoras vão atacar. E é melhor ter medo, pois elas vem com tudo pra te derrubar!


Por Nata de Lima para União das Mulheres do Underground

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s